Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o suicídio é responsável por 800 mil mortes ao ano, isso representa uma morte a cada 40 segundos no mundo. Só no Brasil são em média 11 mil pessoas tirando suas vidas por ano.

Campanhas como Setembro Amarelo são importantes para que o assunto (ainda tratado como tabu) seja mais discutido e menos estigmatizado.

Como sociedade, devemos parar de tratar o suicídio como algo sujo. Devemos concordar em discutir este problema crescente de forma aberta e honesta. Mais importante ainda, devemos exorcizar o estigma associado ao suicídio de nossa consciência coletiva.

                                                                                                             Scott A. Bonn Ph.D.

Transtornos mentais estão entre as principais causas de suicídio

Depressão:

O estado depressivo faz com que a pessoa perca toda e qualquer motivação pela vida, é um estado de sofrimento contínuo; a doença em níveis mais severos faz com que a pessoa pense distorcidamente que não há saídas para cessar a própria dor existencial, e comumente tende a pensar que as pessoas à volta ficariam melhores sem ela, podendo assim dar início a ideações suicidas  e tentativas de autoextermínio.

♦ Transtorno bipolar:

Entre 30% e 50% dos brasileiros portadores de transtorno bipolar tentam suicídio. Essa é a estimativa sustentada pela ABTB (Associação Brasileira de Transtorno Bipolar). O transtorno bipolar se caracteriza por oscilações de humor, o indivíduo vive uma montanha russa entre euforia e depressão profunda, e é justamente nos momentos de baixa do humor que mora o perigo, o sujeito começa fazer ideações suicidas.

♦ Transtornos psicóticos:

Em um dos meus estágios tive a breve experiência de atender um senhor que por vezes relatou ouvir vozes de comando para cometer o ato de suicídio; seu diagnóstico não estava completamente fechado porém ficou clara a presença de um transtorno psicótico com alucinações auditivas, apresentava também humor depressivo, dificuldade de comunicar-se com clareza e de entender a realidade à sua volta.

Assim como a depressão os transtornos psicóticos (esquizofrenia, transtorno bipolar) e transtornos de personalidade dentre outros transtornos que causam sofrimento no sujeito, são tratáveis!

Nestes casos é importante um trabalho multidisciplinar, contando com profissionais da psicologia, psiquiatria e ainda o apoio de familiares e/ou pessoas queridas do sujeito.

Outras grandes causas comuns ao suicídio

    • Solidão
    • Bullying
    • Imprudência
    • Impulsividade
    • Dificuldade financeira
    • Não elaboração do luto
    • Problemas de relacionamento
    • Insucesso na vida acadêmica
  • Uso abusivo de substâncias psicoativas (drogas no geral) dentre outros.

Nota: É absolutamente respeitável os casos em que a pessoa decide por morrer, exercendo  assim o seu livre arbítrio, porém novamente citando muitos decidem por este caminho a fim de findar o sofrimento que sentem, e a maioria acaba não buscando ajuda para lidar com o sofrimento ou sequer imaginam que é possível se tratar e se recuperar; muitos casos são tratáveis, o sujeito necessita de ajuda para construir novos caminhos e se abrir para novas possibilidades para que assim consiga construir o sentido existencial atualmente faltante em suas vidas.

Segue duas listas sobre os principais sinais de alerta e fatores de risco segundo o site Yellow Ribbon para que possamos ficar atentos e oferecer ajuda às pessoas que amamos.

Sinais de alerta:

A pessoa geralmente começa:

    • Agir de modo diferentemente
    • Falar sobre querer morrer ou se matar
    • Procurar uma maneira de se matar (pesquisar online)
    • Relatar sentir-se sem esperança ou sem motivos para viver
    • Falar que sente-se preso ou com uma dor insuportável
    • Falar sobre ser um fardo para os outros
    • Aumentar o uso de álcool ou drogas
    • Agir de modo ansioso ou agitado; comportar-se imprudentemente
    • Dormir muito pouco ou dormir demais
    • Retirar-se dos ambientes ou sentir-se isolado
    • Demonstrar raiva ou sentimentos de vingança
    • Apresentar mudanças extremas de humor
    • Fazer doação de posses
Fatores de risco:
    • Ter realizado tentativa anterior
    • Problemas com a escola ou a lei
    • Separação
    • Gravidez inesperada
    • Uma vida familiar estressante. (ter pais deprimidos ou abusadores de substâncias ou história familiar de suicídio)
    • Perda de segurança … medo de autoridade, colegas, grupo ou membros de gangues.
    • Estresse devido a novas situações; faculdade ou se mudar para uma nova comunidade.
    • Falhar na escola ou não passar em um teste importante.
    • Uma doença grave ou lesão em si.
    • Ferir gravemente outra pessoa ou causar a morte de outra pessoa (exemplo: acidente automobilístico).
    • Grande perda … de um ente querido, uma casa, divórcio na família, um trauma, um relacionamento.
Setembro Amarelo

Precisamos falar sobre suicídio, não fingir que a problemática não existe. Campanhas como Setembro Amarelo são importantes para ajudar a preparar pessoas a lidar com o sofrimento dos outros sem tantos julgamentos e com mais amabilidade, ensinando-os também a identificar fatores/sinais de risco para que  antecipem algo literalmente sem volta.

Importante também para mostrar que as pessoas em sofrimento não estão sozinhas, que estamos aqui para ouvir, acolher e mostrar que sempre há novas possibilidades.

Se você tem passado por momentos difíceis busque ajuda das pessoas que o ama, converse, exponha o problema para alguém que confia, e/ou se possível busque ajuda de um profissional, há também o número 188 do Centro de valorização da vida que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar; o atendimento é feito sob total sigilo por telefone, email ou chat.

https://www.cvv.org.br/

Informação adicional:

Devo salientar que apesar do número de mulheres com depressão ser mais elevado do que nos homens, a taxa de suicídio é maior entre os homens do que nas mulheres, cuja taxa é de 10 mortes por 100 mil habitantes e entre mulheres 3,1 por 100 mil, ou seja, quase quatro vezes menor. Homens apresentam uma resistência maior em procurar ajuda médica no geral, em especial ajuda psicológica pois há o mito que ao fazê-lo transpareça fraco perante a sociedade. Homens, busquem ajuda dos profissionais da saúde!

Referências

https://drauziovarella.uol.com.br/geral/transtorno-bipolar-e-a-doenca-que-mais-causa-suicidios/

https://nacoesunidas.org/oms-suicidio-e-responsavel-por-uma-morte-a-cada-40-segundos-no-mundo/

http://www.saude.ms.gov.br/2017/09/21/ministerio-da-saude-divulga-1-boletim-de-suicidio-no-pais-e-a-quarta-causa-de-morte-entre-jovens/

http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/suicideprevent/en/

https://yellowribbon.org/get-help/warning-signs.html


Nayara Sena

Graduanda em psicologia, amo dividir conhecimento e aprender coisas novas sobre diversos assuntos, me considero uma entusiasta moderada de tecnologia, porém minha paixão maior é e sempre será a psicologia.

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